quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A LIBERTAÇÃO DOS QUATRO APEGOS

A LIBERTAÇÃO DOS QUATRO APEGOS

Texto raiz de Jetsun Drakpa Gyaltsen

Quando o grande Lama Sakyapá (SACHEN KUNGA NYNGPÔ, 1092-1158) tinha doze anos de idade, estava realizando um retiro de seis meses de meditação e recitação [do mantra] de Arya Manjughosha; e então, no meio de uma grande massa de luz, sobre um trono de jóias, o Senhor Manjusri apareceu, de cor laranja, gestualizando o mudra do "Ensino do Dharma", sentado confortavelmente no meio de uma comitiva de bodhisattvas que se dispunham à sua direita e à sua esquerda; e o Senhor proferiu:

Se você está apegado a esta vida, você não é uma pessoa religiosa;
Se você está apegado ao ciclo da existência, você não renunciou;
Se você está apegado a seus próprios interesses, você não é um bodissatva;
Quando ocorre aderência não há visão.

Depois que isto foi ouvido [o lama Sakyapá] meditou e obteve o especial discernimento de todos os dharmas, analisando seu sentido e unindo a "Treinada Mente" dos quatro apegos e sua separação como a inteira prática do "Caminho da
Perfeição". Samapatamithi. [Jetsun Drakpa Gyaltsen, 1147-1216].


A SEPARAÇÃO DOS QUATRO APEGOS


Por Sakya Pandita Kunga Gyaltsen



Aos pés do Guru eu me prosterno! Geralmente, quando se obtém um corpo disponível e a fortuna, e quando se encontra o precioso Ensinamento do Buddha nasce a mente não-fabricada com o objetivo de praticar o inconfundível Sagrado Dharma; aí deve-se praticar a "Separação dos Quatro Apegos". Se você pergunta o que é isso, digo: não apego a esta vida; não apego ao ciclo da existência; não apego ao seu próprio interesse; não apego aos fenômenos e características.

Para entender melhor, veja: esta vida é como uma bolha de água e a hora da morte é indefinida; a vida não é digna de apego.
O ciclo da existência é como um venenoso fruto; aparentemente é delicioso, mas realmente causa dano; ter apego a isto é uma ilusão.
O apego ao próprio interesse é como criar o filho do inimigo; ainda que aparentemente ele possa parecer alegre, eventualmente ele vai nos causar muito dano no futuro; ainda que aparentemente possamos estar felizes no apego ao nosso próprio interesse, isso certamente vai-nos levar a um renascimento ruim.
Apego manifesto aos fenômenos e características é como agarrar-se a uma miragem de água [no deserto]; ainda que ela tenha a aparência de água, nada existe ali de substancial para ser bebido. Esta existência que aparece a uma mente iludida quando examinada com sabedoria não tem nenhuma entidade que a fundamente; o sábio não deixa a mente fixar-se no passado, nem fixar-se no futuro, nem fixar-se na consciência do presente; sabe que todos os dharmas estão livres de elaboração.
Praticando assim, com não apego a esta mesma vida não existirá mau renascimento; com não apego à existência cíclica, não haverá nascimento na existência; com não apego aos seus próprios interesses, não haverá nascimento como shrávaka ou pratyekabuddha; com não apego aos fenômenos e características, rapidamente se manifestará a Completa Perfeição.

(Estas instruções sobre a "Separação dos Quatro Apegos", o inconfundível coração da intenção de Pal Sakyapa Chenpo, foi escrita por Sakya Pandita, 1182-1251). Tradução comparada de R.S. para esta página pelo bem de todos os seres.

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